segunda-feira, 30 de maio de 2011

A valorização do Talento, muito além do conhecimento específico

Eu vi no fórum do Jovens Talentos da Natura um post sobre uma matéria que saiu semana passada no Valor Econômico: "Programas querem atrair candidatos mais ecléticos" e fiquei muito feliz de, além de citarem a Natura, ver mais uma vez aquilo que acredito sendo aplicado na empresa que quero trabalhar.

Além de todos os motivos explicados na matéria, quero dar meu ponto de vista a respeito do tema. O Brasil sofre com a deficiência na educação, inclusive no ensino superior, não aprendemos inglês como base, contamos com inúmeras faculdades particulares por aí e que nem sempre valorizam a qualidade do ensino, mas apenas a acessibilidade que criam. Temos a ascensão da classe C que já representa 53% da população brasileira e qual tipo de educação você acredita que esses jovens da Nova Classe Média tiveram? Com certeza, não foi das melhores, visto a falta de qualidade no ensino fundamental e médio das escolas publicas e pela dificuldade de entrar em uma universidade renomada. Sem muitas possibilidades, apostam na faculdade que oferece menos custo e nem sempre o melhor ensino.

Isso os torna menos capazes de serem trainees? Não deveria. Afinal talento não é só para aqueles que tiveram oportunidade, o talento é nato, ou pelo menos a busca por ele nasce com a pessoa.

Aí entra aquilo que acredito, há coisas na vida que se aprende, outras você nasce com elas - essas sim, dizem a respeito de nosso potencial e competências natas. Resumindo: É mais fácil ser líder ou aprender inglês? São duas coisas distintas pra mim: inglês se aprende com esforço e dedicação. Não que ser líder também não seja um aprendizado, mas acredito que é muito mais complexo e exige algumas outras competências, ser líder não é só aprender a ser líder, exige outros conhecimentos como oratória, trabalho em equipe, capacidade de motivação, etc. Mais complexo que inglês.

Se eu encontro uma pessoa com alto potencial de liderança por exemplo, mas que não sabe inglês não posso desperdiçá-la pela falta de conhecimento específico. O foco em conhecimentos específicos não pode ser o objetivo dos processos de trainee, assim como viajar para o exterior. Eu tenho a sorte de ter tido a possibilidade de ir para os EUA, mas quantos não tiveram escolha? Quantos não tiveram acesso a inúmeras exigências dos processos rigorosos de trainee?

Por isso acredito na avaliação mais íntima do candidato, entendendo motivações, valores, princípios, objetivos, qualidades e competências do que avaliar uma mera nota de Raciocínio Lógico , Inglês e Conhecimentos gerais. Não que não seja importante, mas ela deve ser apenas uma parte de um processo realmente eficaz.

Foi o que me encantou no processo da Natura de 2009 "Proximos Lideres" e que ainda encanta com o atual, valorizar o que vivi e o que tenho dentro de mim, além do que cabe em uma nota de 0 a 10.

Felizmente, hoje o mercado grita por mão de obra qualificada e isso exige um perfil muito menos específico e mais múltiplo, diversificado com valorização nas habilidades natas do candidato e não só conhecimento específico.

" "O importante é termos pessoas com a atitude certa". O conteúdo técnico, de acordo com a diretora, é ministrado durante o curso de formação, que tem aulas teóricas e experiências práticas durante um ano. " Esse é um trecho da diretora de RH da Renner que estava na matéria. Resume, ou melhor, gabarita meu pensamento.

Trecho da matéria que fala da Natura:

"Em 2009, a Natura reformulou o seu programa de trainee e fez, pela primeira vez, uma seleção aberta a candidatos provenientes de qualquer faculdade. Denise Asnis, gerente do escritório de liderança, explica que o principal objetivo foi atrair talentos com valores e perfis similares aos da organização.
Na seleção deste ano, nem mesmo a idade foi um impedimento - a única exigência era a de que os interessados estivessem graduados há, no máximo, quatro anos. A mudança, segundo Denise, trouxe boas surpresas: o processo atraiu trainees de diferentes formações e regiões do Brasil. "Acreditamos que é mais fácil formar aspectos técnicos do que valores. Dar um curso de informática ou de planejamento estratégico é muito mais simples e barato do que tentar inocular uma cultura", afirma.
A nova postura da Natura fez com que o então recém-formado em ciências sociais Bruno Bidóia se inscrevesse, pela primeira vez, em um programa de trainee. Ele faz parte desde o ano passado do time de jovens talentos da companhia e diz que, durante os estudos, não considerava esse tipo de programa como uma opção para iniciar a carreira. "Nem sabia o que era um trainee", admite. Acabou descobrindo do que se tratava em uma lista de e-mails da faculdade e começou a pesquisar alguns programas.
A decepção veio logo em seguida, quando o jovem percebeu que a maioria das seleções não aceitava estudantes de ciências sociais. "Descobri o trainee da Natura sem saber que era a empresa, já que na época eles não identificaram o nome. A proposta chamou a atenção e fiquei feliz quando vi que podia me candidatar", conta ele, que termina o programa no final deste ano."

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